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250 leitos e 70 pontos de hemodiálise: o que a nova unidade da Feluma diz sobre o mercado hospitalar

250 leitos e 70 pontos de hemodiálise: o que a nova unidade da Feluma diz sobre o mercado hospitalar

Publicada em: 06/11/2026 11:26:18

A saúde de Minas está em obras, e isso diz muito sobre o mercado que está em alta.

250 leitos e 70 pontos de hemodiálise: o que a nova unidade da Feluma diz sobre o mercado hospitalar de Minas

Um prédio conhecido de Belo Horizonte vai mudar de função. A antiga Maternidade Octaviano Neves, no bairro Santa Efêgênia, passa a abrigar a Unidade II do Hospital Universitário Ciências Médicas de Minas Gerais, com 250 leitos e 70 pontos de hemodiálise destinados exclusivamente ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O anúncio foi feito em 30 de outubro, durante visita do ministro da Saúde à unidade, que pertence à Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), mantenedora dos Institutos Ciências Médicas. Segundo a fundação, a nova estrutura dobra a capacidade de internação da sua rede. A transição para o atendimento 100% SUS será gradual e deve começar no fim de novembro.

O que está em jogo

A Feluma comprou o imóvel com recursos próprios, em operação formalizada em setembro, e prevê investir mais R$ 40 milhões em obras e adaptações, segundo o jornal O Tempo. A Secretaria de Estado de Saúde informou que o governo de Minas vai contribuir com equipamentos e com a estruturação da unidade.

O modelo de acesso também chama atenção. A unidade não terá porta aberta: os pacientes chegarão pela regulação da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, a partir das UBSs e UPAs. Moradores de outras cidades poderão ser atendidos quando as prefeituras negociarem o encaminhamento pelo Tratamento Fora do Domicílio (TFD). A unidade deve ainda apoiar o programa federal Agora Tem Especialistas, criado para reduzir filas de consultas, exames e cirurgias.

A experiência da fundação ajuda a explicar a aposta. Em 2025, as unidades da Feluma somaram mais de 16 mil internações, 10 mil cirurgias e 11 mil sessões de hemodiálise, com pacientes vindos de mais de 600 municípios mineiros, de acordo com o Diário do Comércio.

Por que a hemodiálise pesa tanto

Os 70 pontos de hemodiálise não são um detalhe. O Brasil tinha cerca de 172,6 mil pessoas em diálise crônica em julho de 2024, alta de 9,7% em um ano, segundo o Inquérito Brasileiro de Diálise, da Sociedade Brasileira de Nefrologia. Quase oito em cada dez desses tratamentos (79%) são financiados pelo SUS. No Sudeste, a prevalência chega a 1.019 pacientes por milhão de habitantes, acima da média nacional de 812.

Na prática, cada novo ponto de hemodiálise representa sessões contínuas, várias vezes por semana, para o mesmo paciente. Isso exige máquinas, sistemas de tratamento de água, insumos e equipes especializadas funcionando sem interrupção.

Um hospital novo é uma cadeia de compras

Transformar uma maternidade em hospital geral com UTI e hemodiálise é, para o mercado, um ciclo completo de equipagem. Projetos desse tipo costumam envolver:

  • leitos, mobiliário e equipamentos de monitoramento para internação e UTI;

  • máquinas de hemodiálise, tratamento de água e insumos de uso contínuo;

  • adequações de central de material e esterilização (CME) e de bloco cirúrgico;

  • sistemas de gestão, prontuário eletrônico e integração com a regulação municipal;

  • serviços de hotelaria, como lavanderia, nutrição e higienização;

  • engenharia clínica, manutenção e contratos de assistência técnica.

Cada item passa por decisões de gestores, compradores, equipes de enfermagem e de engenharia clínica. E, com parte dos equipamentos vindo do estado, a cadeia passa também pelos processos de compra pública.

Não é um caso isolado

A Unidade II da Feluma se soma a um movimento mais amplo. Em Minas, hospitais regionais estão saindo do papel: o de Teófilo Otoni foi entregue em dezembro de 2025, com R$ 275 milhões investidos, e o de Governador Valadares foi projetado com 226 leitos, 40 deles de UTI, para atender cerca de 700 mil pessoas em 51 municípios, segundo a Agência Minas. O estado tem ainda 75 consórcios intermunicipais de saúde, que alcançam cerca de 84% da população e funcionam como um canal regional de compras e serviços.

Para quem fornece para hospitais, a leitura é direta: a demanda está distribuída por todo o estado, em projetos públicos, filantrópicos e privados, cada um com o próprio ciclo de compra.

Onde esse mercado se encontra

É esse encontro que a Expo-Hospital Brasil promove em Belo Horizonte. Em 2026, a feira reuniu 19 mil participantes de 577 municípios e 22 estados, mais de 400 marcas expositoras e 40 congressos especializados, com mais de R$ 440 milhões em negócios movimentados, segundo a organização. Cerca de 72% do público veio de fora da Região Metropolitana.

A próxima edição acontece de 10 a 12 de agosto de 2027, no Expominas. Nos congressos, temas como gestão pública, compras, enfermagem, controle de infecção, engenharia clínica e laboratório conversam diretamente com o que projetos como o da Feluma exigem. No pavilhão e nas rodadas de negócio, gestores e compradores encontram quem fornece as soluções.

Nós, da Expo-Hospital Brasil, vamos acompanhar de perto cada novo projeto hospitalar de Minas aqui no Radar do Mercado. Se você quer estar perto dessas conversas em 2027, continue nos acompanhando em nossas redes sociais. 

Fonte: https://feluma.org.br/minas-gerais-ganha-novo-hospital-ciencias-medicas-100-sus/



Publicada em: 06/11/2026 11:26:18 | Mais notícias | Voltar

Fonte: Bianca Morais

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